Você me é tão "caro"
Sobre ler mesmo sem cumprir os requisitos do “leitor competente”; uma nota sobre o Sentido Londres e um livro sobre História da Gastronomia
Caro leitor…
Caro leitor é tão formal… mas é o que quero dizer: que você me é caro/a e que te vejo como leitor.
Não como ouvinte. Não como espectador.
Leitor!
Diga aí: você gosta de ser um? Se considera como tal?
Na faculdade fiz um curso maravilhoso chamado: “A formação do leitor”. Aprendi muito naqueles seis meses. Conheci Pennac, Manguel, Iser. Foi muito bom (está até dando uma saudadezinha).
Foi a primeira vez em que pensei no que realmente significa estudar Literatura - com suas escolas encaixotadas e arbitrárias - e no quanto isso é diferente de se tornar um “ leitor”. Caiu a minha ficha de que estudar a história da literatura não faz a gente necessariamente aprender ou exercitar essa arte misteriosa que chamamos “leitura” - muito menos nos faz um leitor.
O que faz então?
Voltando para hoje - e para você: estava pensando sobre o quanto a sua presença é especial. E também no fato de que, talvez, eu não consiga entregar tanto, como autora dessa newsletter, como você me entrega como leitor.
Por aqui (Londres) existe um termo que sempre me causa estranhamento. O tal do proper reader.
Fulano é um proper reader. WTF. Aliás, proper em francês significa limpo, asseado (só dizendo).
O “proper reader” seria algo como “leitor de verdade”, talvez? Um leitor competente, adequado, ideal? Algo nessa linha e, para resumir, todas essas coisas que não sou - nem como autora, nem como leitora, nem na vida.
Eu também espero que você não seja um, confesso.
Afinal de contas, por onde anda esse tal leitor ideal e apropriado? O que ele come? O que veste, quais suas angústias?
Será que este não é mais um encaixotamento arbitrário, como o do ensino de Literatura nas escolas e universidades, com seus parnasianos e realistas?
Vou deixar a discussão aberta por aqui, mas queria só pontuar que…
… É por isso que você me é tão caro. Tem alguém, nesse mundo, que apesar de toda minha falta de apropriação chegou até a essa linha e ainda está me lendo.
Eu acho isso uma delícia… sem asseio, inapropriada e retumbante.
- A partir daqui seguimos só os leitores pagos
Deixo referências para quem desejar seguir com suas leituras sobre o tema por conta própria…
Ah, para tudo!
Para os leitores de História e interessados em gastronomia fica a dica do livro do historiador Patrick Rambourg, que está em pré-venda por 69 reais. Aproveitem!
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